segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Ponto de ônibus, neblina, patos e afins!



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Madrugada adentro vão três amigos conversar amenidades, ao sabor de um tal “Suquinho Gummi”, a bebida é a desculpa para a reunião informal que tem como objetivo entreter e nada mais. O sereno da noite foi o primeiro companheiro, e sob o teto de um ponto de ônibus as criaturas notívagas e risonhas fumam, bebem e ouvem músicas (aparelho celular e seus ruídos). A rua, vazia de tudo, é lentamente tomada por uma densa neblina que impossibilita a visão de qualquer coisa a mais de 2 metros, alguém verbaliza: “Estou me sentindo em Londres, aí que delícia né?”, sim a racionalidade e bom senso tinham sido diluídos pelo álcool da bebida, ri e nada acrescentei ao delírio do meu amigo que não por acaso colore seu cabelo de um vermelho intenso e non sense.
A neblina misturada à fumaça de tantos cigarros resulta na inflamação de desejos, fantasias sexuais: sexo com estranhos, sexo em via pública, sexo a três, sexo urgente; no fim nada mais do que sexo imaginado e não realizado.
Um gato, animal que pensa ser um pequeno deus, amigos brincando com o felino e fazendo vozes em falsete, minha falta de compreensão típica, e o gato arranha e pula na face de um deles. Risadas, e um prazer em não ter dividido este momento afetivo. Gatos e seus pelos me incomodam.
Coreografias no meio da avenida, o asfalto úmido e passos enérgicos, lascivos, despretensiosos. Dançávamos, rimos mais, falamos de amor, da vida alheia, sobre homens; e dançamos com maior intensidade. Não tenho o álibi de estar sobre o efeito do álcool, bebi pouco eu era a mais pura expressão de se sentir bem e querer só se divertir.
De repente patos cruzam a rua, e com toda falta de habilidade inerente aos patos patinham em nossa frente – nem mesmo se tivesse tomado heroína na veia fantasiaria algo tão inusitado: amigos gays bêbados, rebolativos e rindo sem parar, neblina, e agora aqueles patos – talvez um casal. É muito, desisto de me entregar ao momento e busco um fio de sanidade em mim. São 05 da manhã, abraços fraternais - é hora de ir - a neblina persiste e me resta dormir a fim de tentar esquecer o quanto bobo eu posso ser. Fomos embora, mas não sem antes marcarmos o próximo encontro que aconteceu no mesmo lugar e horário em uma segunda-feira, de novo álcool e cigarros, mas sem os patos e a neblina.

Giuliano Nascimento

ps: Neste clima, hoje celebramos, eu e Elian, 42 anos de casados. Uma vida, é verdade. O triste disto é perceber que a vida passa e se esvai.





Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Nova Fornada de Artesanato Bratz!



Pronto, mais uma fornada de sapatinhos de bebê, feitos em tricô, para doação a uma creche aqui de BH.
Missão cumprida, mas sem qualquer pretensão altruísta.

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

O menino do pijama azul!




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Uma notificação e muita falta de vontade, respondo talvez com alguns dias de indiferença a impessoal mensagem – educação diante da irrelevância. Apenas mais um rosto bonito, entre tantos, nada além de uma estranheza entre os ícones de notificação do smartphone. Com algum espaço de tempo duas (quem sabe três?) outras novas notificações do mesmo perfil, e minha mesma disposição. A porra do alarme não tocou- não o do smartphone e sim o meu - não me preveni e o perigo se aproximava a passos calmos. Sem perceber eu me perdi.
A culpa, o vacilo, o primeiro olhar, o selo da carta do suicida, tudo minha responsabilidade: “Desdita hora em que dei like na imagem sorridente”, ainda lembro a #tag que me fez esbarrar naquele que hoje eximo de culpa. Mas o desejo me guiou, desejo bobo, desejo mecânico, sem propósito de ser, desejo, talvez...
Se o poeta afirmou que as cartas de amor são ridículas é porque não sabe o quanto risíveis e medíocres são as mensagens por rede social – a tecnologia a serviço do vexame e exagero.
Poderia eu justificar minha queda exaltando o quão belo é o objeto do meu desejo, o ideal grego com um beicinho perfeito e a voz que me acalma – sim neste ponto já estamos a conversar por horas via ligação de voz (a primeira durou exatas 2 horas e 23 minutos) logo eu que odeio falar ao telefone, mas não vou me ater ao ideal de beleza alcançado, porque por mais insano que pareça não fazia a menor diferença. Ele é mais do que um pedaço de carne, por mais que ele sempre se colocasse como tal – pobre menino.
Sexo, discussões ferrenhas, preocupação em excesso, doses de ciúmes, suspiros, ansiedade, uma nossa música, e até um pedido de namoro, isso tudo e outras tantas coisas nossas (minhas?) fizeram parte do turbilhão desse improvável encontro.
Hoje me cabe a vergonha. Não sei lidar com minhas imperfeições e não aceito ter me comportado como um completo idiota que se apegou a uma fantasia construída deliberadamente com o objetivo de nunca de verdade ser ou talvez (quem sabe?) de entreter – nem isso fui capaz.
Sigo a timeline, que é vida também, com algumas escoriações, ainda mais descrente nas possibilidades, e mais fervoroso e fiel ao medo – não me abandone e me faça ouvir o alarme.
E o menino de pijama azul ainda está aqui, não consegui soltar sua mão e o deixar ganhar o mundo e só assim perder o medo de ser feliz e fazer, de verdade, os outros felizes. O menino ficou e o homem partiu para mais uma fantasia; que ele reencontre com o menino e seja quem sabe inteiro.


Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Alguém me observa da janela!




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Porque se não for estranha não é trepada minha; sabe-se lá por que caralhos tem coisas que só acontecem comigo e na primeira experiência íntima com um estranho. Sim, por que não fazer sexo com estranhos? - daqueles que você conhece em uma mesa de bar ou mesmo cruza na rua com alguma frequência, mas nem sequer verbaliza um "oi".
Meses atrás, talvez seis, quando voltava para casa nessas madrugadas quaisquer eu via (com certa frequência) o rapaz na janela que me observava. Até tentava andar com menos sinuosidade a fim de não chamar atenção, a sensação de estar sendo observado me incomodava e também aguçava minha curiosidade em descobrir ao menos o seu rosto; a escuridão do seu quarto e o negrume da noite favoreciam seu quase anonimato. Inevitável o encontrar, afinal a rua onde ele mora faz parte do meu itinerário, e em uma ocasião banal o vejo descendo as escadas do sobrado onde mora. Deliberadamente diminuo o ritmo dos meus passos a fim de enfim ver quem é o garoto da janela, cruzamos nossos caminhos na esquina e um olhar rápido denunciou ser mesmo ele, e ele era explicitamente bonito. Com o passar dos dias, confirmei não só sua irritante beleza como também o via frequentemente, rodeado de amigos, andando de bicicleta, saindo de casa sabe-se lá para onde, e nunca mais no parapeito da janela.
Inês é morta, mas ele não; e para minha surpresa o vejo na rua onde moro vindo em minha direção e, sem cerimônia, ele me pergunta se eu moro sozinho e pede meu número de telefone. Durante semanas foram algumas mensagens de texto, muitas ligações não atendidas e eu sem entender o motivo pelo qual eu não me inspirava em sair com o menino lindo que muito me observou de sua janela. Talvez a facilidade da situação, uma vez que tenho tendências a complicar as relações afetivas e sexuais, enfim...
Evidente que ele desistiu, mas não sem antes me encontrar inúmeras vezes pelas ruas do bairro e me ignorar, salvo quando ele estava com uma namoradinha (fez questão de olhar bem na minha cara) e eu dei de ombros. Mas o tal destino (ou seria o demônio?) é ardiloso, e na madrugada passada ele aparece como mágica e começa a conversar com uma minha amiga, erámos quatro: Eu, minha amiga, ele e o incômodo da situação.
Conversamos amenidades, e a hora redonda nos fez cada um seguir seu rumo, o relógio no celular marca 3 horas e 30 minutos. Confesso que fui embora solicitando mentalmente que ele não me “encontrasse”, não queria mais uma tentativa dele e outra negativa minha; chego em casa sem contratempos, aliviado e um pouco decepcionado, mas melhor assim. Cerca de 20 minutos depois desta vez da minha janela vejo ele, abro a porta e o rapaz - lindo como um sonho infantil – sorri, amansa sua voz, relembra nosso primeiro não-encontro, e faz o convite. Corpo completamente nu esparramado na cama, as tatuagens e um cheiro que ficou nas minhas mãos, mas o que poderia ser mais uma noite de sexo casual e banal não o foi.
Cliente satisfeito, ele gozou e no decorrer da transa chamava meu nome de um jeito sensual e delicioso; mas o pau não ficou em riste. Pernas, peito, barriga e um pau meia-bomba (nem duro tampouco mole).
Entre gemidos contidos aquele pau malemolente gozou uma porra salgada e em quantidade quase imperceptível. Um adeus sorridente e satisfeito dele e a promessa em voltar e eu me perguntando: “Que porra foi isso?”, e continuo na dúvida de como - e se - agir com o menino da janela.


Bratz Elian
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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O salino gosto de uma não foda!









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Primeiro dia de Verão, e ele mostra a que veio; um calor absurdamente sufocante que incomoda até mesmo os mais coloridos e saltitantes entusiastas da estação da luminosidade, música alta, calcinhas suadas e peitos à mostra.
Cinco da manhã e eu tentando ler um livro, que é dos mais chatos que já li na minha medíocre vida, e não bastasse o enfadonho emaranhado de palavras ainda há mosquitos famintos a circular, picar, sugar e tornar tudo ainda mais catastrófico.
O cão que não late é sujo e faz passar em frente à janela de vidros empoeirados aquele que não é meu amigo, namorado, amante ou seja lá o que poderia vir a ser: Com tempo disponível e desejo acesso a gente transa, aliás nem sempre ele me fode, felação e algumas mordidas e encoxadas às vezes é a medida do encontro, desencontro, um não ponto, opondo à rotina, desdita de dois tortos. 
Com o dedo em riste eu afirmo, irritado, algo que ele fez fora do roteiro predeterminado; álcool e desejo o fizeram se expor (me expor) e extravasei minha raiva quase iracunda e meio belicosa. Briguei, expliquei e ignorei. 
Suas mãos e pau em mármore não deixavam dúvidas, uma desculpa alinhada em promessa de não mais repetir o excesso e o enlace dos braços suados – quase sujos e salgados. Sua boca salivava tesão e pressa, e a minha negava o que o corpo queria. 
E quanto mais ele tentava mais eu negava e excitava; mãos fingindo repelir, língua na nuca, mãos na espádua, costas, bunda. Sussurros ao pé do ouvido, entre linguadas e baba, e sempre a mesma negativa contrariando o que o corpo falava. Gemidos incontidos, mãos desesperadas, sofreguidão de um homem que implorava por prazer e caiu na armadilha egoísta só minha: Por mais que o desejo fluísse dos meus lábios e mãos - sussurros, mordidas e unhas cravadas conscientemente. 
Foram mais de duas horas de tortura, tesão, suor e calor; rogar em nome do pai, do filho e espírito santo não foi o bastante. Apoiado em meu dorso ele esfregava o pau e batia uma punheta violenta (desordenada) a fim de ver a mancha branca em minhas pernas, coxas, sobre a roupa. Em vão, depois de diversas tentativas pouco convincentes de findar com a brincadeira, de subjugar suas vontades, eu enfim dei fim ao desespero dele, para desesperá-lo ainda mais – sim era possível. 
Abruptamente o empurrei em meio a gemidos e insistências: “Chupa, me dá, só um pouco, pega no meu pau, eu quero gozar, eu vou gozar, só saio depois de você mamar”. Com o pau duro, quente e suado dentro da bermuda jeans ele foi embora contrariado. Com o corpo quente, o desejo atiçado, e uma marca no pescoço pouco aparente não gozei o cigarro depois da trepada possível, mas traguei o domínio das minhas vontades e do meu ego inflado. Meu jogo, minhas regras, eu o único vitorioso. Restou calor, o cheiro dele e meu sorriso satisfeito: “Bem feito...”, e seja feita minha vontade. 


Bratz Elian 
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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Na fila da padaria!





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O que para a maioria é coisa comum, sem importância, ganha contornos curiosos quando o protagonista sou eu.
Ir à padaria. Será possível se divertir indo até a padaria comprar pães? (especificamente oito, e bem branquelos). Sim é divertidíssimo, primeiro porque dificilmente eu vou só, há quem me ligue para combinarmos de irmos juntos, outros me esperam nas ruas de acesso; e no horário aproximado de minha ida sempre alguém pergunta: “E aí, já foi na padaria?” – é estranho, mas também engraçado.
As funcionárias, todas, conhecem minha preferência por pães claros e fazem uma pequena festa quando me vêem, afinal eu aproveito a fila para exercer a troca de informações e também para avaliar os espécimes masculinos presentes. Em minha mais recente ida à padaria fui acompanhado da sempre presente Lili e da Ana Elisa – uma garota de 14 anos, evangélica, com talento para a arte cênica e uma fã confessa minha. Vai entender! Na fila dois adolescentes – surpresos e curiosos – observam o estranho trio e paqueram a jovem evangélica, que interpreta estar constrangida com os absurdos que pulam das bocas minha e de Lili. Não, não discutíamos a situação econômica do país, ou outro qualquer assunto, falávamos sobre homens, é claro.
Distraidamente observo um homem (alto, negro, imponente, ‘não era belo, mas mesmo assim...’) olhando fixamente à Lili – como costumo dizer: “Ele estava ‘galinhando’ minha amiga”. Virei para ela, que já havia percebido a intenção do homem, e a cumplicidade em nosso olhar foi definitiva – rimos e continuamos a “galinhar” o cara que estava na nossa frente, sem perder as expectativas de chegar mais uma vítima para engrossar a fila. Na saída ficamos de frente com um rapaz que já foi alvejado por nossos olhares e insinuações diretas (uma pena que a mulher dele estava logo atrás e percebeu tudo), ele ficou surpreso, e nós claro demos em cima – só para não perder o hábito.
Paezinhos em mãos, já indo embora avistamos a negão que, mais cara de pau que nós, estava olhando fixamente, segurando a porta do carro, e continuo olhando, olhando, olhando e nós gentilmente retribuíamos os olhares em solidariedade, e riamos muito do inusitado. 
É fato, ir à padaria, próximo das 18 h 30 min, pode sim ser um programão com direito a diversão, romance e surpresas. 
Depois disso tudo vou tomar café, e comer um saboroso pão com muita margarina Qualy.

Giuliano Nascimento

Bratz Elian 
enfim! é o que tem pra hoje ...

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Insanidade!



Debaixo destes tetos, entre cada quatro paredes,
cada um procura reduzir a vida a uma insignificância.
Todo o trabalho insano é este:
reduzir a vida a uma insignificância,
edificar um muro feito de pequenas coisas diante da vida.
Tapá-la
escondê-la,
esquecê-la.

Raúl Brandão


ps: a todos os insanos que assim sabem o bem viver ...

Bratz Elian
enfim! é o que tem pra hoje ...

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